Medo de Amar
Medo de amar? Pergunta incrédulo o coração. Sim… o medo de amar se instalou de tal maneira, que é fácil senti-lo nas entranhas.
Creio que o amor é feito de etapas, mas só em pensar na ansiedade da primeira etapa, ou seja, do primeiro encontro… no nervosismo dissimulado: tem tremor, suor frio nas mãos, gagueira… tudo consequència do medo da rejeição, que permanece até o veredicto, que pode demorar muito ou não… mas até lá haja coração.
Depois passa-se para a etapa da entrega… você se expõe, tira a máscara da defesa e fica nua… e vem o receio da aceitação, junto com borboletas na barriga… haja novamente coração até a superação. Creio que é no final desta etapa que se inicia a cumplicidade.
Daí inicia-se a etapa da felicidade plena, pois a cumplicidade é o elo entre o romantismo e a realidade…ela faz a ligação entre os defeitos, qualidades, diferenças, tesão… Assim, se bem trabalhado o amor fortalece, e o mundo pode até ser visto, em muitos momentos, através de lentes cor-de-rosa.
Mas chega a etapa fatidíca, da convivência rotineira… creio que seja onde se diz que “a lua de mel” termina… e onde se coloca o amor a “prova de fogo”. Se este ( o amor) foi fortalecido, vai se adaptar a esta nova vida e continuar sendo feliz, pois novos valores foram agregados; senão vai começar a enxergar apenas os defeitos…vai se negar a ver qualquer coisa, por mais que se tente mostrar ao contrário.
Daí chegasse numa nova etapa, e nesta existe uma bifurcação:
1 – Ou você enterra este amor mal-agradecido, sem nem saber porque acabou. E mais, sempre termina só de um lado, somente um coração desacerela… e você vai sentir dor sim… uma dor “doída”, que vai rasgar e deixar a alma com uma fratura exposta, num corte profundo… e pior, parece que não vai cicatrizar… daí só o tempo tem a resposta para você.
2 – Ou então, o amor se fortaleceu com a convivência.. e mesmo com as diferenças, continua escrevendo sua história.
Bem, voltamos ao início – o medo de amar. Mas, creio que tudo tenha seu tempo e, se já não dói tanto relembrar, se anseia por algo mais no seu cotidiano, se a música já faz sentido no viver, se o calor do sol já queima a pele de novo… precisa dele novamente – o amor.
Mas daí vem a pergunta: E passar por tudo novamente? Nascemos para amar, e mesmo que a haja resistência no início, não se pode recusá-lo para sempre. Vá…
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/ RJ, domingo, 06 de maio de 2012)
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