Uma quimera que se transforma em realidade, assim é a rendição de uma mulher apaixonada, alçando vôos só permitidos no tapete mágico da paixão.
Rabiscando poesia numa linha cheia de curvas… deste caminho tortuoso que leva ao êxtase.
Colhendo amores-perfeitos no inverno, convertendo flocos de algodão em nuvens, cantando ópera sem conhecer o bel canto, saciando a sede no reservatório das bromélias, planando tal qual beija-flor.
Os dedos deslizando pelo corpo nu do amante qual pianista nos teclados, deitando-se em lençóis de pétalas de flores do campo, como aqueles que Heloísa preparava para receber Abelardo.
Ouvindo acordes no som mudo do silêncio, dos monges, nos átrios das igrejas, embalando-se nos noturnos de Chopin enquanto a fragrância, de erva aromática e flor almiscarada, penetram em suas narinas, num apelo irresistível ao desejo de possuir e ser possuída.
Nesta entrega incondicional há soma sorriso no olhar… vontade de viver algo intensamente da maneira mais transparente possível, ficando coladinha, lada a lado, com a mente pulsante no outro, sempre!
E não há quem separe, não há nada que a faça esquecer, por um segundo sequer, da paixão que a envolve.
Re…Elizabeth
(Vila Velha/ES,domingo, 19 de junho de 2005)
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