Archive for agosto, 2008
Fim da Solidão
Filosofia de Botequim
Os papos de barzinhos seguem um ritmo saltitante, onde o tema principal nem sempre está presente, somente os pontos importantes na busca da verdade… que são disputados com grande fervor. Para um transeunte, essas conversas parecem distanciadas ou mesmo divorciadas do assunto original… fatal engano.
Todas as afirmações… negações… relatos… ponderações e opiniões, representam as peças recortadas de um quebra cabeça a ser montado. Quando a última peça for encaixada, a paisagem ficará completa, revelando ou a tragédia ou a comédia em si.
Esse filosofar de barzinho identifica a liberdade de sentimentos e emoções que estão escondidos na rotina da vida. A tragédia esta associada à lástima… e a comédia ao riso, a alegria…
Deve estar se perguntado: o que tudo isso tem a ver! Deixe tentar explicar… Até o momento os amigos num barzinho, ao redor de uma ”loira gelada”, não concordavam nas evidências para considerar relevante à questão de corno do “ausente”. Entretanto, tinham importantes peças do quebra cabeça a serem recortadas e encaixadas.
Então ponderavam que o único fato disponível era o depoimento do “delator” sobre o tal moço, em cujo pescoço, a”traidora” se pendurara. Portanto, pesavam a sinceridade que o “delator” sempre demonstrara, certos que os vapores etílicos prejudicavam sua percepção. Prova disso era o longo tempo que passava segurando o poste que ameaçava cair.
O “delator” agradecia os comentários sobre sua índole verdadeira, mas repelia com veemência as insinuações de que o álcool lhe nublava a visão. Tinha certeza do que seus olhos testemunharam. Infelizmente “ausente” era corno. .. mas o chifre era real.
O “macumba” era o mais generoso no grupo de amigos. Para ele, enquanto o próprio “ausente” não encontrasse os dois com a boca na botija, tudo era apenas imaginação. Ou seja, o chifre do “ausente” carecia ainda de realidade.
Nesta nebulosidade conceitual, apoiava a teoria que o “ausente” mantinha o relevo original de sua testa, não obstante serem altas as probabilidades de alteração dessa geografia.
Assim, qualquer transeunte desatento não captava o clima de riso… de gargalhada e de alegre esculhambação, seguidos de veementes protestos. Diferente da filosofia clássica à de bar pode até perder em segurança conceitual, em profundidade investigativa e em certeza lógica. Porem, ganha em risada e alegria, onde os caminhos da razão são imprevisíveis. E ninguém ri quando sabe o fim da piada.
Re…Elizabeth
(Vila Velha/ES, sexta-feira, 24 de junho de 2005)
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Fome
Sem limite, minha fome começa
em qualquer parte do meu corpo,
entra pelo labirinto do desejo,
explode na artimanha da libido…
completando-se em você!
Meu desejo por você
é como um botão
pronto a desabrochar…
numa flor se tranformar
…você me completa!
Querendo a qualquer hora
…assim desejo você!
Podendo me alimentar
assim como se come
quando se tem fome.
Tanta fome tenho
de fazer parte de você,
por isso espero e quero
mais que uma ejaculação…
pois minha fome não é só tesão!
(Vila Velha/ES, sábado, 14 de maio de 2005)
*Respeite os Direitos Autorais




