Tornei-me uma covarde…ou sempre fui? Ah começo a crer que este excesso de cautela acoberta uma acomodação. Se de um lado é confortável viver naquilo e daquilo que conheço… sinto que deixei meu viver morno… é bem mais fácil sobreviver do que escolher viver livremente… acho que estou morta e não sei.
Para ser livre é preciso coragem… a palavra coragem vem da raiz cor, que significa coração.
Por isso padeço… esqueci de viver com o coração! …criei raízes, finquei os pés no chão… e o fiz premeditadamente, em nome da lógica! Fechei todas as portas e fiquei espiando a vida pela janela… Ah quero ter coragem novamente, e trocar o conhecido, por uma peregrinação rumo a um novo horizonte.
Vou soltar o nó das amarrras desérticas, da mesmice, e deixar minha alma mergulhar num recôndito oásis.
Quero pulsar novamente… quero arrombar esta porta e sorver devaneios… romper entremeios… lamber o suor do dia… desalinhar a rota , completamente cega à realidade, e mudar a minha sina em doidivanos delírios.
…assim (re)viver… e clamo aos deuses, que a coragem não me falte…que o olhar não se turve, se chorar…pois se assim não for, não servirei para mais nada, principalmente a eu mesma.
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/Rj, quarta-feira, 10 de setembro de 2008)
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