Surge no olhar uma lágrima,
do ímo escapa um gemido,
chora a alma faminta,
na noite insensata
tentando justificar
…a sua existência.
Na madrugada sem astros, a alma chora sua história… uma existência sem fim, nem começo, ou ponto final, só uma constante busca. Vive estagnada num delirante sonho, eternizado pelos fragmentos da memória, onde não há nada para fazer, a não ser aguardar o momento do despertar para a vida.
Uma naufrága, navegando à deriva num mar destituído de brisa, flutuando entre espumas, tentando transpor corais ante os seus mais profundos desejos. No brilho tênue da madrugada, na frágil embarcação, tateia a bandeja de estrelas, procurando ao menos uma réstia de luz que faça o aro prateado, surgir no horizonte, numa explosão ensolarada.
E o amanhecer chega impregnado de cheiros… não consegue crer que neste enredo não alcance a luz… que não sinta o Criador-Mor dando vida ao ser etéreo, fazendo viajar ao nicho mais alto das estrelas e dos cometas incandescentes… ela quer sentir a carne, amar e tocar a profunda leveza, num verdadeiro universo de luzes, que bailam e se confundem com os suspiros dos astros. Ela tem urgência e tateia o resumo deste instante, no leito iluminado do amanhecer.
O torpor a invade, numa sensação de que o mundo pode terminar para todos, lá fora, nunca para ela, pois ainda tem de viver esta história de beleza, prazer e dor.
Ah! Quer o mar, para navegar nos frisos do prisma do dia, sem a interferência do pavor da perda, sem me importar com a bússola da razão, sucumbindo nas ondas do desvario. Não quer nascer e tocar o vazio, sentir a rude solidão sufocante… sente-se repetinamente nauseada, a ponto de estremecer… e ora pela felicidade enquanto espera pelo ato de nascer…
Re…Elizabeth
(Vila Velha/ES, quarta-feira, 12 de julho de 2006)
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