Pés que voam… bailando nas comoções da música
e levando o andarilho a caminhos nunca trilhados…
são tão eloqüentes quanto destemidos
… ávidos de movimentos… alados de magia.
Pés que se assemelham aos rouxinóis,
pois cantam para as partículas em pó,
que o vento faz bailar ao seu redor,
o desejo de ser um cisco no universo!
Pés que, por vezes, evitam o noturno,
…o breu do amor… mas o algodão das estradas
os acariciam, e nesta mesma alquimia,
a estrelas desatam, dos carinhos do firmamento.
Pés que, por instantes, de tão indecisos, riscam o chão,
ensaiam uma fuga, desconfiados e incrédulos…
mas seguem, pois são corajosos, despojados e alegres,
e vagueiam pelo mundo… sem ao menos pedirem água.
Ah pés são dançarinos, são malandros,
e vão pelas sinuosas aventuras da vida…
num bailado aventureiro… de uma ironia incrédula…
seguem vistoriando os acordes do cotidiano.
Quem me dera ter mais pés, mais caminhos,
mais retas, por mais oblíquas que sejam…
mas independente das vontades dos corações,
os guetos nunca alardem, a pressão é sentida aos pés
que sem muitos devaneios seguem, seguem e seguem….
…mesmo que lhes faltem o chão, pé ante pé… seguem…
Pés…como é bom tê-los, a receber caricias…
como é bom acarinhá-los, como é bom segui-los …
mesmo sabendo de um provável abismo..
Pés excitados ante a abissal paixão… deslumbrados,
dançam no compasso da música apaixonadamente
até a exaustão… vislumbrando a paz num rio
de águas fartas e mornas… para descansar.
Re…Elizabeth
Celso Meirelles
Jânio Ross
(Brasil - Portugal, terça-feira, 02 de setembro de 2008)
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