Escorre o desejo na noite … profanando a paz, e o corpo mergulha na luxúria… açoitado pela
paixão… espreitando a candura de prazeres sem limites.
Desperta escrava do querer… ávida de tara… estremecendo ante o roteiro que faz a paisagem florescer.
Desperta fêmea faminta… enquanto mãos sorrateiras, e de um requinte urgente, deslizam pelo corpo…
Desperta plena, ao sentir lábios sedentos… trilhando… deixando um rastro de fogo… tocando tal qual um beija-flor na intimidade da labiata… com tal intensidade, que se ouve cada poro clamar.
Desperta depravada… no íntimo passeio pela estrada do prazer… exalando perfume, na ofegante espera da posse…
Desperta vibrante… num transe mágico… ansiando por um orgasmo voraz… e antes que a elegia infame arrebata murmúrios ofegantes, o mel salgado brota da pele congelando os pequenos raios solares.
Desperta a dama da noite, com seu perfume avassalador, pelas sombras despidas aos encantos do luar, em seu inebriante gozo…
Desperta acanhada, docemente inibida, ao ponto de adestrar um furacão, que se perde pelos cachos do pecado, espalhados pela pele do demônio…
Adormece entregue, invadida, irreconhecível…uma escultura surrealista, uma obra inacabada, uma fêmea contrabandeada pelas mãos lascívias, pela fronteira do prazer…
Celso Meirelles & Re…Elizabeth
(Coimbra/Pt - Rio de Janeiro / RJ, quinta-feira, 11 de setembro de 2008)
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Não costumo… minto, nunca comentei um rabisco que tenha participação minha, mas este a quatro mãos esta divino! ICelso… estou (re) lendo com calma e arrepiada aqui…ficou simplesmente maravilhoso…consegui vivenciar desde o despertar até o adormecer…obrigada, bjs!
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