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Re… Elizabeth

Riscos & Rabiscos

Archive for outubro, 2008

Razão na Demência

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Traçando Rabiscos

Um rabisco nada mais é que o esboço de algo, que de alguma maneira, tocou quem risca… se o corrupto é belo, ou  tem encanto na mesmice do feio.. só a crítica de quem ler, poderá definir.

Mas creia, jamais será moral ou imoral… não existe moralidade na arte de rabiscar, somente na vida imperfeita, de quem se atreve a montar um quebra-cabeças de letrinhas.

Portanto, não ouse atribuir  ética… é imperdoável com os personagens que povoam o pensamento. Nenhum deles querem provar nada… são meras comoções, e  como tal, quando nao divergem… criticam,  ou se contradizem… são complexas e adoram divã de analista (no caso quem dedilha),  diria até que são atores… e ao abrirem o guarda-roupa do cotidiano…vestem o que lhes convém no momento.

Ah e são viciados em esboçarem um estereótipo línguistico, às vezes tão rebuscado, que  acabam exaurindo as artérias…  descarnando a vida, e injetando fel no simplório coração.Muitas vezes tornam-se tão prosaicos, que tentam colocar razão, onde somente a doidivana demência  reside. 

Mas não se enganem… eles tudo vêm… tudo sentem… e nas insônias palpáveis costumam sibilar canções, que traduzem as asas exauridas…. caídas do céu.

Temo pela sanidade deste mundo, pois quando não houver mais nenhum personagem povoando este ãmago… não conseguirei rabiscar… sem ar, morri.

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, quinta-feira, 30 de outubro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais

Metamorfose Disforme

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Filosofia do Cotidiano

A aurora chega vestida de melancolia, fazendo juz ao cenário do amanhecer, tingido de cinza.

Inerte… assim permanece o vulto que namorou a noite, em devaneio… tentando compreender o comportamento de um adeus.

Permanece inerte… pois, por mais que vasculhe as lembranças, só encontra paisagens inóspitas!
É como se o inverno fizesse daquela geografia, sua morada definitiva… matando, a míngua, a alma.

Inerte e sem noção… já nem lembra quanto tempo passado, desde que seus sonhos caíram, assassinados, a seus pés.

Quer sair da letargia, em que se encontra, e alçar vôo novamente… mas o casulo disforme quebra as asas da borboleta, em meio ao caos da metamorfose.

E o acúmulo de destroços ferem…sangrando sentimentos…enquanto o farfalhar de asas se faz presente, tentando salvar momentos raros…que pedem socorro, na calmaria existente no “olho do furacão”… em meio a catástrofe.

Enquanto recolhe os cacos… lembra-se da paisagem primaveril onde lançou a semente ao solo, orando para que a mesma germina-se viril… doce ilusão.

Olha para a janela da alma, onde outrora espiava a vida feliz… para constatar que permanece entraaberta… e ousa espiar pela fresta, para encontrar a hostilidade da paisagem inóspita.

Assim os defeitos da metamorfose vão dominando o ambiente, de maneira alarmante… numa avalanche de destruição. Mesmo assim tenta crer no amor… seu elo de esperança com o mundo… mas crer implica em conhecer, portanto além da compreensão.

Como pode um sentimento ser tão contraditório? Descobre que o amor e o ódio são irmãos siameses, portanto vivem com a mesma intensidade insana, na variável do tempo… tendo apenas uma tênue linha a separá-los.

Ousa espiar novamente pela fresta da janela, tentando visualizar o porto seguro… mas só consegue enxergar fiapos do seu sant’elmo… que um dia tremulou pela paisagem, mapeando através de lentes côr-de-rosa.

Tenta estancar a sangria em quê se esvai o coração… tenta deter as palavras ferinas que  querem acusar a indiferença… tenta salvar a dignidade da amante, um dia tão amada… que liberta de pudores, dançava nua, na íris do amado… feliz e ignorando o lado perverso da vida.

Onde está este mundo, onde a paisagem era uma eterna primavera, ixalando paixão?… ecoa o grito silencioso, que morre na garganta.

Pressente a boca da morte lhe namorar… sente  seu hálito fétido, e consegue até visualizar as pérolas quebradas,  ante o sorriso de escárnio que ganha.

Uma lágrima sepulta o amor moribundo à porta do amanhecer… e na lápide ousa riscar: -”Queria apenas ser amada… ousei demais…não consegui…parti sem saborear o amor…”tal qual nuvem branca, que passa pela vida e não viveu”…

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, quarta-feira, 22 de outubro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais

Caça e Caçador

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Esculpindo o Amor

Te quero… e vou  te dominar!
Assim começa uma conquista…
cheia de querer, visualizando ter.
E vai a luta…ignorando obstáculos,
que servem de incentivo, ao objetivo.

As intemperies não impedem….
…e o desafio prossegue…
ultrapassa barreiras e sorri,
um sorriso de promessas…
num convite, à presa cobiçada.

E o tempo se torna primaveril,
faz nascer bem-me-queres…
na paisagem, outrora, de inverno,
dengando tal qual sol de verão.

Mas o tempo implacável, marca o tempo…
enquanto caça e caçador, vivem num idílio,
o relógio sem ponteiros…gira…gira…gira…
até afastar toda névoa, da ilusão sonhada,
fazendo os amantes acordarem…

…na nudez do cotidiano… outra vez.

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, segunda-feira, 20 de outubro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais

Esboço de Amigo

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Desenhando a Amizade

Quero um amigo de verdade…
aquele  que banca o palhaço
só para fazer-me sorrir,
…quando quiser chorar.

Quero um amigo que me agasalhe,
quando o frio do inverno
em minha alma se instalar.

Quero um amigo que me ofereça flores
quando os espinhos, das comoções.
teimarem em maltratar meu coração.

Quero um amigo que esqueça o tempo,
não sinta as horas passarem…
só pelo prazer de estar… e comigo ficar.

Quero um amigo que caminha comigo
Pela estrada da vida, até a última morada,
sem nunca dizer adeus…só um até breve!

Re…Elizabeth

(Vila Velha/ES, quarta-feira, 04 de março de 2006)

*Respeite os Direitos Autorais