No confessionário da alma
lave os resquícios impuros,
desta paixão pérfida,
que contamina o coração.
Nas gotículas que escorrem
na face suada pela dor,
vislumbre a tristeza esvair
na nudez da melancolia.
Depois cate a sapiência
que não tem mais paciência,
está coberta de papel picado
de um risco maltratado.
Agora solte o ar, aliviado,
por ter destroçado a aflição
que levava à solidão…
de um querer sem ter.
E saia observando semáforos,
avance no verde…pare no amarelo,
cuidado ao alerta do vermelho…
não corra riscos… sem rabiscos.
Não se atreva a parar num poema,
de versos rotos…de comoções miúdas,
que vagabundeiam pela noite fria,
se alimentando de agonia.
Numa sinfonia de violinos,
…deixe o amor te abraçar,
leve a vida docemente…
sem limites no sonhar.
Assim, na decrepitude da vida,
quando o dia, a míngua, arquejar
e a última hora chegar…lembrará
a imperfeição que foi…e sorrirá!
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/RJ, quinta-feira, 16 de outubro de 2008)
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