Se eu pudesse ser um rabisco, não sei que traçado teria…
se arrebatador ou silencioso… não sei… mas queria.
Queria ser gerada no âmago, em meio à imensidão infinita das comoções,
onde habitam os ingredientes necessários para se gerar um rabisco.
Queria nascer num tempo, no qual o próprio tempo não se inscreve…
através de códigos emocionados, fluir liberta do ventre da memória,
emergir em meio às palavras…atropelando o espaço de tempo.
Queria crescer numa miscelânea de rabiscos, brincar no tempero das emoções
num jardim repleto de camélias, orquídeas, jasmim e singelas margaridas.
Queria a juventude do rabisco, exalar o aroma de doces melodias,
lembrar a sinfonia de pequenos pássaros num alvorecer primaveril,
e penetrar nas entranhas da paixão, onde a vestimenta é pele.
Queria ser a sensibilidade do rabisco adulto, viver a essência do amor,
sentir as particularidades dos versos, a magia da transição…
enquanto o olhar decodifica o diálogo atemporal e silencioso.
Queria a sabedoria do rabisco maduro…sorrir para a vida sem barganhar,
em sintonia no jogo da cumplicidade e afinidade do ser e viver.
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/Rj, quarta-feira, 19 de novembro de 2008)
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