Embarco no trem do dia, enquanto o sol ainda descansa,
viajo no balançar cadenciado do cotidiano
entre a inclinação, na curva, de um compromisso
e a fricção, nas comoções, dos trilhos do coração.
Sigo ao som do proletariado, pelas ruas da vida,
tentando garantir, também, minha sobrevivência,
enquanto o sensasionalismo imerge de um mundo
rastreado… mapeado…mas jamais decifrado.
Na esquina do almoço, escorrem lágrimas de sangue
dos bóias-frias urbanos, para um perdido qualquer,
que foi premiado com uma bala distraída…
restando na marmita, um “balão apagado”.
A tarde se debate com a esquálida esperança
num endereço qualquer…não importa…
afinal, os pensamentos…as manias e as cores
são iguais aqui ou acolá…. e sobrevivem.
Um apito soa agonizante, ao final do dia,
deixando um rastro de corpos cansados, suados,
debatendo-se contra a violência, e sem nada
que justifique a dor que corrói o viver.
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/RJ, domingo, 25 de janeiro de 2009)
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