Quando a alma fica cansada de lutar,
persiste em ser uma folha rabiscada
entornando ternura na gélida impressão.
Ela não quer ser um pensamento único,
nem uma mera xerox de qualquer emoção,
e sim o acalento de qualquer predileção.
Quer dar vida a pálida e tépida folha,
abandonando a calmaria do cais diário
e adentrando numa corredeira de sensação.
Quer encontrar rabiscos empoeirados,
que permacem abandonados a esmo
no sótão que habita a comoção.
E cigana ser, na enchente da paixão,
sem velho ou novo grilhão…
somente a velha batida do coração.
Quer experimentar o cítrico sabor
de lascivos beijos, num desvairado
e lento prelúdio de gestos…
E ao ouvir a música, sem rima e métrica,
numa constelação de doidivanas letrinhas,
compor seu querer, mesmo sem ter.
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/ RJ, quarta-feira, 15 de julho de 2009)
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