Aprisionaram a liberdade
roubaram os sonhos
e a vontade de amar.
E a dor gracejando
do abandono que restou
dilacera o coração.
Marginalizada, a vida
permanece desprezada
numa prateleira empoeirada.
E o mundo fragilizado rui
amaldiçoando a ilusão
que projetou o castelo.
Nada sobrou, nem a morte!
Esta ingrata abandona a culpa
num cenário inóspito e hostil.
E o amor vagueia desanimado
repleto de ressentimentos…
numa réplica imperfeita da solidão.
Mas a esperança é teimosa
e luta apaixonadamente…
não se deixando abater.
Clamando pelo fogo do verão
num convite ao olor primaveril
deita-se no dourado outonal.
Assim a carência que ruge
na aquarela invernal
descongela lentamente…
E o amor volta a imperar
nos corações dos homens
e a paz finalmente se faz.
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro / RJ, sábado, 24 de abril de 2010)
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