
Escancaro as janelas de minha alma e deixo o vento primaveril varrer o mofo saudoso que persiste em ficar, guardo as gélidas comoções invernais, no sótão do coração… e ouso alçar vôo no indefinível (re)nascer junto à natureza, que em sua sabedoria, rabisca esboços, com traços coloridos, de um contínuo ciclo de esperança.
Um tímido sorriso surge nos lábios , sedento de momentos inesquecíveis… não posso (e não quero) negar a primavera… nem a minha… nem a sua…. talvez a nossa primavera.
Assim sopro recado ao velho amigo vento… que agora baila ao meu redor, ansiando que seja o seu vento. E deixo o vento do alvorecer levar a canção que a madrugada não quis escutar… onde me deixei fluir em devaneio… talvez, porque faltou o teu reflexo na tela noturna.
E as folhas brincam no velho vento vagabundo… cobrindo o dia com o ar primaveril… passo a mão pela face e recolho a última gotícula invernal que rola…
Enquanto caminhando junto ao mar… na areia ainda desértica… lavo da alma os resquícios de mágoas, que teimam em residir em minha paisagem… e beijo o dia, que tem a cor e o gosto de teus lábios… pura paixão!
Deambulo pelo cotidiano… emergindo dos sonhos que teci… no rabisco adormecido, que se inflama, qual fósforo, ante a lembrança de teu ardor.
Vem… abra os olhos no hoje e conseguirá visualizar o hálito do amanhecer… permita-se a primavera das comoções… venha florir novamente, para tanto, basta cobrir os sulcos, dos amores mal resolvidos, por primavera!
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/Rj, terça-feira, 23 de setembro de 2008)
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