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Re… Elizabeth

Riscos & Rabiscos

Archive for the ‘Era uma vez...’ Category

Lobo Mau

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Era uma vez...

Olhos grandes pra te ver
Mãos fortes pra te tocar
…e o olfato lobinha
teu cheiro vai confinar.

Ah com este lobo
não tem avareza
e usa sua destresa
em prol de sua presa.

E a única certeza da lobinha
é que será enxergada… ouvida
…e se der bobeira vira comida
enquanto sonha em dar guarida!

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro / RJ, domingo,10 de janeiro de 2010).

*Respeite os Direitos Autorais

Carruagem

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Era uma vez...

 

Fim de linha cinderela,
procure outro caminho,
que neste atalho malfazejo
a carruagem desmantelou
e numa abóbora virou…
e o principe encantado
num ratão se transformou.

Vasculhe outro conto de fadas
…e  numa nova paragem
monte outra carruagem.
Não esqueça de levar, na bagagem,
um pouco da antiga imagem,
para injetar como anestesia
na hora em que bater a agonia.

Siga a trilha num trote lento,
o tempo servindo de alforria,
o sonho - cuidando de ser guia,
o vento - resvalando na face nua,
enquanto no bojo do coração
acende a ilusão da paixão…
torcendo pra não ser maldição.

O relógio gira no caminhar,
colhendo as emoções
na maturação da paixão,
sem saber se vertem lágrimas
ou murmúrios de dor…
administrando em segredo,
a lógica  irracional do medo.

Enquanto dirige, este transporte
rude e romântico,solta as rédeas
da imaginação, assim a prudência
que viajava com a intuição
se desprende, na contramão,
e numa cavalgada alucinada
cai na garras da excitação.

Enquanto a alma cocheira
exerce seu ofício e pausa o caminhar,
para o corpo descansar…
sem saber que naquela estalagem
vive  toda a maldade libidinosa,
esperando alguém adentrar…
para sua penúria fartar.

A brisa dissimulada acaricia
o breu, abraçado ao luar…
deixando a noite encantada
propícia para  amar…
na ilusão que o  querer
não terminará no alvorecer.

O pernoite aguça a imaginação,
que  se levanta, na escuridão,
e incendeia o coração…
viajando pela fresta da esperança
que não se cansa, de sonhar,
que seu príncipe encantado
desta vez, vai se declarar.

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro / RJ, sexta-feira, 11 de setembro de 2009)

*Respeite os Direitos Autorais

Noel Made in Consumo

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Era uma vez...

Era uma vez um bom velhinho… Ah mas isso foi há muito tempo. Bem ele esta de volta… E creiam -  vivo. Mas está mais velho, magro, ranzinza e não tem mais saco. Ah! Ouvi dizer que detesta o frio, por causa do reumatismo… da artrite… sei lá, e mora no litoral brasileiro. Tinha que ser né?

Ouvi dizer também que, durante o dia, não faz absolutamente nada. E de noite vai pra esbornia, depois chega e cai num ronco profundo… onde sonha com os bons tempos, quando ainda reinava, e se achava autêntico.

Do que estou falando? Do Noel oras… Que importa o calendário, o Natal já esta ai…alias, ultimamente ele cruza o “umbral” do comércio com o Coelhinho da Páscoa… tá difícil!

Estamos em pleno feriadão do calendário nacional,  e já vejo decorações, promoções e o Noel no shopping. Viu como o Natal está aí? Por isso precisa começar a ser feliz… esta se perguntando por que tem que começar a ser feliz? Uai, é Natal! Como e daí? No Natal você tem a obrigação de ser feliz! Por que  todos dizem isso… esta na mídia… nos templos… nas lojas… nas ruas de bairros burgueses.

Queria saber o que Rudolph acha disso tudo. Como você não sabe quem e Rudolph? A Rena do trenó do Noel, aquela do Nariz Vermelho… não! Não estou falando do Pinóquio e sim da rena de Noel! Onde você mora, no Pólo Norte?

Acha que estou sendo cínica e abusada… mas abusam de minha santa paciência… até o Noel, que se embriaga e depois tenta se manter simpático. Digo mais… acho o Noel de hoje uma fraude!

Feito sobre medida para expressar o que todos pensam de todos, nesta sociedade consumista, onde até as crianças já estão tão corrompidas. Elas não esperam mais presentes… exigem! E vai direto ao shopping “comprar”…afinal é mais fácil e menos perigoso que escrever a Noel, e ele nem se dignar a ler.

Não quero crer que o Noel seja este horror… um retrato de uma sociedade hipócrita para a qual até o sentido do Natal não passa de mera aparência. Mas presencio este espírito natalino… um espírito capitalista de merda que arranca dinheiro dos burgueses em troca de felicidade materialista, e deixa os pobres mais pobres quando aceitam os malditos carnes, endividando-se nas compras de Natal!

Não sou Noel… mas estou de “saco cheio”.

Re…Elizabeth

(Vila Velha/ES, quarta-feira, 15 de novembro de 2006)

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Tiete Virtual

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Era uma vez...

Tiete daquelas fervorosas mesmo é capaz até de não sair em um sábado à noite com as amigas, faltar ao trabalho, pedir dinheiro emprestado para ir a um ‘cybercafé’ navegar no Orkut, fazer poemas eróticos e apaixonados, e rabiscar as paredes do ‘scrap’ com trilhões de recadinhos.
 
Os amigos já se acostumaram, muitos namoros terminaram por causa do poeta do Orkut, alguns maridos descobriram o poeta e proibiram a mulher de navegar no tal Orkut. Quando alguém brinca de um rabisco do poeta lá está à tiete defendendo seu ídolo com olhos marejados, “Meu poeta é o melhor!” – e saía declamando só pra irritar quem a perturbou.

Recompensa da tiete é ter um poema feito por ele. Na cabeça de quem é fã de verdade, aquele rabisco vale ouro, é apaixonante (suspiro), não importando se havia outros poemas feito pra demais tietes também, ou muitos para a musa. Se ganha um poema dorme feliz, ela e as outras 100 tietes. Uma lembrança pra eternidade.

Extasiada, a tiete fica histérica quando o poeta convida para teclar com ela no tal Messenger, e, é claro, a emoção toma conta. Mesmo que não tenha ‘cam’, a tiete se prepara: toma uma bela ducha, passa o hidratante com esmero, perfume, maquiagem completa e fica horas na frente do guarda-roupa, decidindo o que fica melhor. Pronta, lá vai ela para frente do computador acessar a ‘net’ e teclar, feliz, com seu poeta.

– Olá linda, tudo bem?

Tiete que é tiete não consegue teclar nada útil quando se vê teclando com seu ídolo. Limita-se a abrir a boca e, meio que num espasmo, mexer os dedos para teclar um “oi”, antes que ele pense que ela desistiu, de tanto que demorou em teclar um simples “oi”.

- Gostou do poema que postei hoje? Comentou sobre ele? Não esqueça de comentar.

Que autopromoção. Se algum dia houve a chance de que ela enjoasse daquela vida, da tietagem, esta chance tinha se perdido naquele momento.

Assim as horas passam no teclado, e o poeta ganha espaço na vida daquela tiete, que se esquece lindo dia lá fora, do menino que adora seu olhar e já lhe convidou para sair, mas ela não pode porque tinha hora marcada com seu poeta no Messenger.

Ah! Esses poetas de internet sabem mesmo se fazer presentes, através de seus poemas e de sua ínfima presença. Fico imaginando se houvesse o Orkut na época dos Grandes Mestres. Nossa melhor nem pensar, pois o mundo entraria num holocausto e ninguém faria absolutamente nada só poemas.

Re… Elizabeth

(Vila Velha/ES, domingo,  12 de junho de 2005)

*Respeite os Direitos Autorais