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Re… Elizabeth

Riscos & Rabiscos

Archive for the ‘Era uma vez...’ Category

Noel Made in Consumo

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Era uma vez...

Era uma vez um bom velhinho… Ah mas isso foi há muito tempo. Bem ele esta de volta… E creiam -  vivo. Mas está mais velho, magro, ranzinza e não tem mais saco. Ah! Ouvi dizer que detesta o frio, por causa do reumatismo… da artrite… sei lá, e mora no litoral brasileiro. Tinha que ser né?

Ouvi dizer também que, durante o dia, não faz absolutamente nada. E de noite vai pra esbornia, depois chega e cai num ronco profundo… onde sonha com os bons tempos, quando ainda reinava, e se achava autêntico.

Do que estou falando? Do Noel oras… Que importa o calendário, o Natal já esta ai…alias, ultimamente ele cruza o “umbral” do comércio com o Coelhinho da Páscoa… tá difícil!

Estamos em pleno feriadão do calendário nacional,  e já vejo decorações, promoções e o Noel no shopping. Viu como o Natal está aí? Por isso precisa começar a ser feliz… esta se perguntando por que tem que começar a ser feliz? Uai, é Natal! Como e daí? No Natal você tem a obrigação de ser feliz! Por que  todos dizem isso… esta na mídia… nos templos… nas lojas… nas ruas de bairros burgueses.

Queria saber o que Rudolph acha disso tudo. Como você não sabe quem e Rudolph? A Rena do trenó do Noel, aquela do Nariz Vermelho… não! Não estou falando do Pinóquio e sim da rena de Noel! Onde você mora, no Pólo Norte?

Acha que estou sendo cínica e abusada… mas abusam de minha santa paciência… até o Noel, que se embriaga e depois tenta se manter simpático. Digo mais… acho o Noel de hoje uma fraude!

Feito sobre medida para expressar o que todos pensam de todos, nesta sociedade consumista, onde até as crianças já estão tão corrompidas. Elas não esperam mais presentes… exigem! E vai direto ao shopping “comprar”…afinal é mais fácil e menos perigoso que escrever a Noel, e ele nem se dignar a ler.

Não quero crer que o Noel seja este horror… um retrato de uma sociedade hipócrita para a qual até o sentido do Natal não passa de mera aparência. Mas presencio este espírito natalino… um espírito capitalista de merda que arranca dinheiro dos burgueses em troca de felicidade materialista, e deixa os pobres mais pobres quando aceitam os malditos carnes, endividando-se nas compras de Natal!

Não sou Noel… mas estou de “saco cheio”.

Re…Elizabeth

(Vila Velha/ES, quarta-feira, 15 de novembro de 2006)

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Tiete Virtual

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Era uma vez...

Tiete daquelas fervorosas mesmo é capaz até de não sair em um sábado à noite com as amigas, faltar ao trabalho, pedir dinheiro emprestado para ir a um ‘cybercafé’ navegar no Orkut, fazer poemas eróticos e apaixonados, e rabiscar as paredes do ‘scrap’ com trilhões de recadinhos.
 
Os amigos já se acostumaram, muitos namoros terminaram por causa do poeta do Orkut, alguns maridos descobriram o poeta e proibiram a mulher de navegar no tal Orkut. Quando alguém brinca de um rabisco do poeta lá está à tiete defendendo seu ídolo com olhos marejados, “Meu poeta é o melhor!” – e saía declamando só pra irritar quem a perturbou.

Recompensa da tiete é ter um poema feito por ele. Na cabeça de quem é fã de verdade, aquele rabisco vale ouro, é apaixonante (suspiro), não importando se havia outros poemas feito pra demais tietes também, ou muitos para a musa. Se ganha um poema dorme feliz, ela e as outras 100 tietes. Uma lembrança pra eternidade.

Extasiada, a tiete fica histérica quando o poeta convida para teclar com ela no tal Messenger, e, é claro, a emoção toma conta. Mesmo que não tenha ‘cam’, a tiete se prepara: toma uma bela ducha, passa o hidratante com esmero, perfume, maquiagem completa e fica horas na frente do guarda-roupa, decidindo o que fica melhor. Pronta, lá vai ela para frente do computador acessar a ‘net’ e teclar, feliz, com seu poeta.

– Olá linda, tudo bem?

Tiete que é tiete não consegue teclar nada útil quando se vê teclando com seu ídolo. Limita-se a abrir a boca e, meio que num espasmo, mexer os dedos para teclar um “oi”, antes que ele pense que ela desistiu, de tanto que demorou em teclar um simples “oi”.

- Gostou do poema que postei hoje? Comentou sobre ele? Não esqueça de comentar.

Que autopromoção. Se algum dia houve a chance de que ela enjoasse daquela vida, da tietagem, esta chance tinha se perdido naquele momento.

Assim as horas passam no teclado, e o poeta ganha espaço na vida daquela tiete, que se esquece lindo dia lá fora, do menino que adora seu olhar e já lhe convidou para sair, mas ela não pode porque tinha hora marcada com seu poeta no Messenger.

Ah! Esses poetas de internet sabem mesmo se fazer presentes, através de seus poemas e de sua ínfima presença. Fico imaginando se houvesse o Orkut na época dos Grandes Mestres. Nossa melhor nem pensar, pois o mundo entraria num holocausto e ninguém faria absolutamente nada só poemas.

Re… Elizabeth

(Vila Velha/ES, domingo,  12 de junho de 2005)

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Soares e a Sorte

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Era uma vez...

Você acredita em sorte? Acredita que algumas pessoas tenham mais sorte que outras? E que atinge seus objetivos mais rápidos se tiver a sorte do seu lado?
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Meu vizinho, o Soares, acredita e vive dizendo: ‘- A sorte está lançada e que os deuses me ajudem!’.
E para garantir que realmente a sorte esteja com ele, leva consigo alguns amuletos extras e ‘abençoados’, como fazem milhões de pessoas no seu dia-a-dia.
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Ele sempre carrega um objeto que atrai a sorte: figas, fitinhas, pulseiras, medalhas, crucifixos, terços, galinho de arruda. Nossa, a lista é interminável. Cada qual com seu poder, seu mecanismo de proteção, atraindo sorte de diversas naturezas: financeira, no amor, no trabalho, afastar mau-olhado e até maus-espíritos que não deixa a sorte chegar. 
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Bem, voltando ao Soares… ele gosta de fazer uma ‘fezinha’, mas só joga uma vez por semana, assim não corre o risco de caracterizar um vício. Imagina, ele não é nem supersticioso, quanto mais viciado.
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Bem, todos já sabem que ele quando joga faz questão de nunca repetir os números, para não correr o risco de vê-los sorteados justamente quando não aposta. E tem mais, faz a aposta, necessariamente, um dia antes do sorteio e guarda o papelzinho com os números, sob seu computador.
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E mais, só confere o resultado do sorteio no dia seguinte, indo pessoalmente à lotérica, negando-se a conferir pela televisão, rádio, jornal ou internet. Como um ritual, ele vai até a lotérica, pega o impresso com as dezenas sorteadas, dobra-o ao meio, e guarda na carteira. Detalhe, só confere em casa.
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E lá esta Soares, no dia de conferir, logo de manhã, cumprir seu ritual. Encontro-o saindo da casa lotérica na certeza de que hoje será seu dia de sorte.
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Aposto que, assim que chega em casa, senta-se na frente do PC e vai confrontar os números. Três, quarenta e um, trinta e seis… merda, não deu nada. Espere lá, o sorteio era aquele mesmo? Era. Ainda não fora daquela vez.
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Encontro mais tarde o Soares caminhando pensativo. Ele pára e vai logo filosofando: ‘– Será que existe esse negócio de sorte?. É inconcebível que isso nasça com a pessoa, como se fosse uma característica genética. Acho, que um sujeito ‘sortudo’ não passe, na verdade, de um otimista, sempre capaz de enxergar o lado bom das coisas que lhe acontecem. Sorte seria apenas um rótulo. Sim, talvez seja isso’ – diz Soares –, e continua: ‘– E o azarado seria um pessimista, que não consegue ver o aspecto positivo dos percalços que experimenta. E se essa bolada de dinheiro, que poderia ter ganhado na loteria, viesse apenas para lhe trazer futuras desavenças amorosas? Posso, então, considerar-me um camarada de sorte por não ter sido premiado’.
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Concordo com ele, despeço-me e sigo minha caminhada deixando para trás um Soares pensativo. Haja otimismo…
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Re…Elizabeth
 

(Vila Velha/ES, terça-feira, 07 de junho de 2005)

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Chapeuzinho Vermelho (versãoII do séc. XXI)

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Era uma vez...
…lógico que existe a versão II…e por aí afora…

Era uma vez… Uma floresta tão peculiar quanto qualquer outra, com rotineiros assaltos… e bla bla bla… que todos já estão carecas de saber! Bem, tudo começa quando um bando de lobogadas (lobas delegadas) chegam à toca da Vovozinha para atender a uma chamada de distúrbio doméstico.

A princípio parece apenas outro caso comum de um lenhador atacando um lobo vestido de vovozinha, com uma combinação de acusações criminais que incluem invasão de domicílio, intenção de comer e o porte de machado sem licença. Mas as aparências enganam….

A medida que o bobogado…ops, lobogado…digo, lobo delegado, de nariz torcido (ou será de nariz peludo?) e sonolento, e sua equipe esbarram nos traiçoeiros suspeitos, acabam descobrindo que cada um tem uma história completamente diferente, embora igualmente louca e confusa para contar.

Não apenas isso, mas parece que o crime tem relação com o infame “Lobo Mau”, que tem atacado as moitas para roubar as inestimáveis receitas que mantêm a floresta cheia de bolinhos. Ninguém no grupo é exatamente o que parece, e cada um tem seus próprios segredos e truques traiçoeiros.

Assim, a policia “logística” logo descobrem que a aparentemente inocente Chapeuzinho Vermelho tem muita experiência do mundo; que o Lobo Mau foi terrivelmente incompreendido; que a Vovozinha tem uma vida secreta que ninguém poderia ter imaginado; e que o inseguro Lenhador, cuja força física pode exceder - bem você conhece o estereótipo - tem algumas ambições surpreendentes.

Enfim, todos são suspeitos comuns, mesmo assim as lobogadas (lobas delegadas) precisam usar os relatos conflitantes das testemunhas oculares para solucionar o mistério, cada vez mais complicado, de quem entre eles cometeu um crime.

Assim… ao final da investigação a verdadeira identidade do malvado vilão é revelada, cabendo à Chapeuzinho, ao Lobo, ao Lenhador e à Vovozinha deixarem suas diferenças para trás e encontrar a própria interpretação do “viveram felizes para sempre”.

.Re…Elizabeth

(Vila Velha/ES, sábado, 12 de maio de 2007)

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