Sobre(viver)
Sobrevivo e não desisto…
de entender os versos mudos,
que esboçam a cara da vida,
que traçam a fome do viver,
que mordem a vida com fome.
Sobrevivo e não desisto…
de decifrar a trajetória
da bala perdida, que gozando,
mata o amor embrionário,
num assassinato apaixonado.
Sobrevivo e não desisto…
de resistir num verso triste,
a metáfora rubra, sem sentido,
que tenta voar, com asas caídas,
no inverso do verso acima.
Sobrevivo e não desisto…
de cantar e rabiscar a vida,
e libertar num grito de euforia
a rima entediada, que padece,
no cárcere silencioso da alma!
Sobrevivo e não desisto…
de (re)nascer no orgasmo
riscado por bocas entrelaçadas
dos que não querem esquecer
…de ver e ouvir estrelas…
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/RJ, sábado, 18 de outubro de 2008)
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