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Re… Elizabeth

Riscos & Rabiscos

Archive for the ‘Filosofia do Cotidiano’ Category

Nossa Aquarela

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Filosofia do Cotidiano

Na transparência noturna, brota a essência da música,  tocando o coração, que dispara,  fazendo a dança acontecer…e os acordes saem borbulhantes de uma orquídea selvagem… revestidos de plumagem, trazendo a harmonia caótica, existente no leito dos amantes, que fixam residência, nos grilhões mágicos da liberdade.

Esta é a nossa aquarela…pare, e ouça os gritos  que ainda ecoam na nossa tela… que surgi num estilete de luz, (re)nascendo num canto torto da vida, sem querer saber o porque da rotina… sobrevivendo, sem parar para refletir o desconforto da cama vazia, que depois do prazer, esfria…onde nem o bolor do gozo fermenta.

Nossos corpos são  meros operários de um desejo errante…e debutam o espaço inquietante, entre o real e o imaginário…equilibrando-se, precariamente, na  corda bamba e tênue, que separa os paralelos, num insano prazer.

E nesta eternidade…em toques encantados, nos mesclamos…fundindo passado e futuro…num milésimo de tempo, sem contabilizar…e o incomunicável deixa de ser contraditório, vira selo e profusão…numa fusão sem precisar de adptação.

Nos tocamos num bailado repleto de outono, onde germinam sementes numa identidade silenciosa, plainando em conquistas ondulantes, encarcerados no último átomo, que teima em não se misturar a poeira cósmica, e ressurgir Fênix, na penumbra do sol…na chama da lua….fechando as cortinas, deste ato, flamejante.

Nossa aquarela é pincelada pelo devaneio, e a rota que traça o mapa… são mãos algemadas, que tateiam a íris, surfando na onda…. com os pés resvalando a vulva da praia…para mergulhar em crateras oceânicas.

Seguimos exploradores, navegando pelo arrebol dos desejos… espalhando espumas que riscam céus, em ondas gigantescas de segredos.

Escute! Ainda ecoa no cais da alma, os gritos silenciosos que demos nos arrecifes afoitos de nosso mar. Eles imergem das correntes, onde descamam, as comoções inenarráveis.

E assim mergulhamos no horizonte, junto ao crepitar do sol, quando alcança o mar…deixando um rastro na janela do entardecer, nos dissapamos nas rugas da noite…com o vento varrendo os sons diacrónicos, de nossos gritos, dilascerantes de prazer.

Fomos tantos…um só…em vários momentos….fizemos parte da tela do dragão, fumando ópio, num caleidoscópio reverso do tempo, num hospício virtual.

Assino a aquarela… entre lágrimas e sorrisos, com a magia espreitando nas pontas dos dedos, sei que voltarei a rabiscar…por qual mar?… ah não ouso policiar, só quero captar a sintonia da tela branca, aguardando uma nova aquarela, onde pinceladas coloridas irão se entrelaçar….decifrando novos segredos, compartilhando o mesmo espaço…usando a mesma linguagem…sorrindo ante um mundo secreto, profundo e suave, de almas que se envolvem numa paisagem com destino certo, no universo de claros, e incertos, sentimentos.

E saiba que não consigo visualizar outro jeito, de rabiscar, uma longa espera, em um momento mágico!

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, domingo, 02 de novembro de 2008)

Metamorfose Disforme

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Filosofia do Cotidiano

A aurora chega vestida de melancolia, fazendo juz ao cenário do amanhecer, tingido de cinza.

Inerte… assim permanece o vulto que namorou a noite, em devaneio… tentando compreender o comportamento de um adeus.

Permanece inerte… pois, por mais que vasculhe as lembranças, só encontra paisagens inóspitas!
É como se o inverno fizesse daquela geografia, sua morada definitiva… matando, a míngua, a alma.

Inerte e sem noção… já nem lembra quanto tempo passado, desde que seus sonhos caíram, assassinados, a seus pés.

Quer sair da letargia, em que se encontra, e alçar vôo novamente… mas o casulo disforme quebra as asas da borboleta, em meio ao caos da metamorfose.

E o acúmulo de destroços ferem…sangrando sentimentos…enquanto o farfalhar de asas se faz presente, tentando salvar momentos raros…que pedem socorro, na calmaria existente no “olho do furacão”… em meio a catástrofe.

Enquanto recolhe os cacos… lembra-se da paisagem primaveril onde lançou a semente ao solo, orando para que a mesma germina-se viril… doce ilusão.

Olha para a janela da alma, onde outrora espiava a vida feliz… para constatar que permanece entraaberta… e ousa espiar pela fresta, para encontrar a hostilidade da paisagem inóspita.

Assim os defeitos da metamorfose vão dominando o ambiente, de maneira alarmante… numa avalanche de destruição. Mesmo assim tenta crer no amor… seu elo de esperança com o mundo… mas crer implica em conhecer, portanto além da compreensão.

Como pode um sentimento ser tão contraditório? Descobre que o amor e o ódio são irmãos siameses, portanto vivem com a mesma intensidade insana, na variável do tempo… tendo apenas uma tênue linha a separá-los.

Ousa espiar novamente pela fresta da janela, tentando visualizar o porto seguro… mas só consegue enxergar fiapos do seu sant’elmo… que um dia tremulou pela paisagem, mapeando através de lentes côr-de-rosa.

Tenta estancar a sangria em quê se esvai o coração… tenta deter as palavras ferinas que  querem acusar a indiferença… tenta salvar a dignidade da amante, um dia tão amada… que liberta de pudores, dançava nua, na íris do amado… feliz e ignorando o lado perverso da vida.

Onde está este mundo, onde a paisagem era uma eterna primavera, ixalando paixão?… ecoa o grito silencioso, que morre na garganta.

Pressente a boca da morte lhe namorar… sente  seu hálito fétido, e consegue até visualizar as pérolas quebradas,  ante o sorriso de escárnio que ganha.

Uma lágrima sepulta o amor moribundo à porta do amanhecer… e na lápide ousa riscar: -”Queria apenas ser amada… ousei demais…não consegui…parti sem saborear o amor…”tal qual nuvem branca, que passa pela vida e não viveu”…

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, quarta-feira, 22 de outubro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais

(Re)compondo

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Filosofia do Cotidiano

No confessionário da alma
lave os resquícios impuros,
desta paixão pérfida,
que contamina o coração.

Nas gotículas que escorrem
na face suada pela dor,
vislumbre a tristeza esvair
na nudez da melancolia.

Depois cate a sapiência
que não tem mais  paciência,
está coberta de papel picado
de um risco maltratado.

Agora solte o ar, aliviado,
por ter destroçado a aflição
que levava à solidão…
de um querer sem ter.

E saia observando semáforos,
avance no verde…pare no amarelo,
cuidado ao alerta do vermelho…
não corra riscos… sem rabiscos.

Não se atreva a parar num poema,
de versos rotos…de comoções miúdas,
que vagabundeiam pela noite fria,
se alimentando de agonia.

Numa sinfonia de violinos,
…deixe o amor te abraçar,
leve a vida docemente…
sem limites no sonhar.

Assim, na decrepitude da vida,
quando o dia, a míngua, arquejar
e a última hora chegar…lembrará
a imperfeição que foi…e sorrirá!

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, quinta-feira, 16 de outubro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais

Mortália da Inspiração

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Filosofia do Cotidiano

Resta um sopro de vida, nada mais. A inspiração jaz estilhaçada numa esquina qualquer, com o ímpeto acorrentado, as asas cortadas, o sexo castrado… não consegue mais transmutar atrás da felicidade, e agoniza num coma existencial.

Moribunda… fede a chaga, rodeada pelos  rabiscos inacabados… e o diagnóstico desta cena?… fastio de comoções… estas se esvaíram pelo labirinto do viver.

Ela chora incrédula… ao saber que sua lápide se resumirá num epitáfio: “morreu assim como viveu…cheia de ilusões”.

Tenta sair da letargia… busca algum fragmento da esperança… mas minguada, apenas os abutres atendem ao seu apelo… atraídos pelo fel das comoções, que surgem decrépitos, imergindo do lixo.

Nesta cena funesta, pressente que os rabiscos inacabados, revoltados, iniciam um  bailado apocalíptico… e trazem, como estandarte, o terrorismo islâmico… o suicido da bolsa de valores… todos os desamores… são traços, envoltos em mortálias, disformes de silicone… nus de emoções,  famintos de poder … apelativos e corruptos.

Enquanto desenham, na lama, as aflições que correm nas veias… os abutres devoram o resto da bílis, num martírio sem fim… e a inspiração pasma, observa sua sina… o sangue poético, o suor dos riscos, até o escroto dos rabiscos inexistem ali…

Para amenizar sua dor, num ímpeto, se entrega… e trai… primeiro a sim mesmo, e depois ao corpo que transita pela vida… amargurada, quer a vingança do tal “livre arbítrio” , como foi ingênua ao crer que para acontecer, tinha apenas que ser e estar…

E a inspiração ri e chora… numa histeria absurda, sabe que foi corrompida… terá que tolerar os néscios sentimentos humanos… assim, de forma vacilante inicia seu testamento: Eu…

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, quinta-feira, 02 de outubro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais