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Re… Elizabeth

Riscos & Rabiscos

Archive for the ‘Social & Político’ Category

Babilônia Brasileira

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Social & Político

Moro na babilônia brasileira,
sem eira nem beira,
o carteiro não chega lá
mas o craque sim…

Meu barraco não tem número,
é a verdadeira torre de Babel
onde   todos falam mas
…ninguém entende ninguém.

Sou carioca…sou cidadão…
pode não parecer não…mas sou!
E se não tenho pra me drogar
na esquina vou assaltar.

Se tive chance…não sei…
mas sei que polêmicas gerei.
Enquanto debatem…eu roubo…
e na decisão…uma vida já tirei.

Assim a vida?!…vou levando
e o medo espalhando…
mas a competição tá ferrenha…
me ajude…para não te matar!

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, quarta-feira, 22 de abril de 2009)

*Respeite os Direitos Autorais

Bóia-fria Urbano

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Social & Político

Embarco no trem do dia, enquanto o sol ainda descansa,
viajo no balançar cadenciado do cotidiano
entre a inclinação, na curva, de um compromisso
e  a fricção, nas comoções, dos trilhos do coração.

Sigo ao som do proletariado, pelas ruas da vida,
tentando garantir, também,  minha sobrevivência,
enquanto o sensasionalismo imerge de um mundo
rastreado… mapeado…mas jamais decifrado.

Na esquina do almoço, escorrem lágrimas de sangue
dos bóias-frias urbanos,  para um perdido qualquer,
que foi premiado com uma bala distraída…
restando na marmita, um “balão apagado”.

A tarde se debate com a esquálida esperança
num endereço qualquer…não importa…
afinal, os pensamentos…as manias e  as cores
são iguais aqui ou acolá…. e sobrevivem.

Um  apito soa agonizante, ao final do dia,
deixando um rastro de corpos cansados, suados,
debatendo-se contra a violência, e sem nada
que justifique a dor que corrói o viver.

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, domingo, 25 de janeiro de 2009)

* Respeite os Direitos Autorais

Mapa da Fome

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Social & Político

Num mundo
divergente
…a gente
passa fome,
não merece…
mas acontece.

…na lei…
dos homens
só uns comem,
e a sociedade
é consciente…
…infelizmente.

… a fome
é geografia
da maioria…
barriga cheia
nesta paisagem
…é minoria.

A crescente raça
…que desgraça
vive na praça…
muito pra poucos
e tão pouco…
pra muitos.

Na dura lida
só a morte
mergulha…
na hemorragia,
onde gente sofrida
fica esquecida.

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, sábado, 18 de outubro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais

Heresia do Viver

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Social & Político

Empurro delicadamente os ossos descarnados, e sacio a alma faminta, que parece uma múmia silenciosa, esquelética, mexendo-se pouco ou nada, e completamente muda… já que o corpo não posso alimentar.

Um rabisco… um repúdio pelo massacre ocasionado pela fome. Creio que por trás de cada vítima, exista um assassino. A fome além de mortífera, também é absurda, um massacre que se produz no meio de uma normalidade glacial.

A fome é ancestral, herdada sem pedidos, para muitos transformados num amargo vício. Um monstro viciado em humanos, sorvendo vorazmente seu sangue, com os dentes rasgando a carne minguada, tendo a morte como única testemunha. E esta (a morte)  nunca se revela por inteiro a  vítima, mesmo com a vida se distanciando do olhar, como uma incubação que se desfaz lentamente.

Fome…morte…isso é a vida. Ter a fome e não conseguir exterminar a gênese cristalizada de falsos governantes…nem desligar os sistemas geradores deste universo social. Creio que seja mais fácil  derrubar uma estrela congelada no cosmos, do quê revolucionar as entranhas de um sistema viciado… que anda, deseja, despreza e mata…em sua habitual rotina.

É simples a equação da vida: quem tem dinheiro come e vive… alguns sobrevivem…mas quem não tem sofre, converte-se em um inválido social… e morre. Ah não venha dizer que é uma fatalidade. Todo aquele que morre de fome é assassinado.

Creio que os governantes tenham horror aos direitos humanos. Eles os temem tanto quanto o diabo da cruz. Pois é evidente que se tomassem ao pé da letra os direitos humanos, acabariam com a ordem absurda e assassina,  satisfariam as necessidades vitais, protegendo contra a fome…

Ah  resta-me ser irônica e riscar quê comer  - conseqüentemente ter fome - foi um erro, um deslize de Deus no dia da criação. Será que Deus errou?  Não…não me responda que “ninguém é perfeito“, pois é uma heresia contra a vida.
 
Neste insano mergulho pela geografia da fome, o choro soa como um baque… mas não o choro da humilhação, da resignação, da tristeza por não ter o que comer…mas o choro explosão, o choro revolta,  o choro de indignação e de vergonha porque assim o homem quis…que semelhantes morram de fome!

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, sexta-feira, 03 de outubro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais