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Re… Elizabeth

Riscos & Rabiscos

Archive for the ‘Traçando Rabiscos’ Category

Queria ser Poesia

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Traçando Rabiscos

Se eu pudesse ser um rabisco, não sei que traçado teria…
se arrebatador ou silencioso… não sei… mas queria.

Queria ser gerada no âmago, em meio à imensidão infinita das comoções,
onde habitam os ingredientes necessários para se gerar um rabisco.

Queria nascer num tempo, no qual o próprio tempo não se inscreve…
através de códigos emocionados, fluir liberta do ventre da memória,
emergir em meio às palavras…atropelando o espaço de tempo.

Queria crescer numa miscelânea de rabiscos, brincar no tempero das emoções
num jardim repleto de camélias, orquídeas, jasmim e singelas margaridas.

Queria a juventude do rabisco, exalar o aroma de doces melodias,
lembrar a sinfonia de pequenos pássaros num alvorecer primaveril,
e penetrar nas entranhas da paixão, onde  a vestimenta  é pele.

Queria ser a sensibilidade do rabisco adulto, viver a essência do amor,
sentir as particularidades dos versos, a magia da transição…
enquanto o olhar decodifica o diálogo atemporal e silencioso.

Queria a sabedoria do rabisco maduro…sorrir para a vida sem barganhar,
em sintonia no jogo da cumplicidade e afinidade do ser e viver.

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/Rj, quarta-feira, 19 de novembro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais

Razão na Demência

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Traçando Rabiscos

Um rabisco nada mais é que o esboço de algo, que de alguma maneira, tocou quem risca… se o corrupto é belo, ou  tem encanto na mesmice do feio.. só a crítica de quem ler, poderá definir.

Mas creia, jamais será moral ou imoral… não existe moralidade na arte de rabiscar, somente na vida imperfeita, de quem se atreve a montar um quebra-cabeças de letrinhas.

Portanto, não ouse atribuir  ética… é imperdoável com os personagens que povoam o pensamento. Nenhum deles querem provar nada… são meras comoções, e  como tal, quando nao divergem… criticam,  ou se contradizem… são complexas e adoram divã de analista (no caso quem dedilha),  diria até que são atores… e ao abrirem o guarda-roupa do cotidiano…vestem o que lhes convém no momento.

Ah e são viciados em esboçarem um estereótipo línguistico, às vezes tão rebuscado, que  acabam exaurindo as artérias…  descarnando a vida, e injetando fel no simplório coração.Muitas vezes tornam-se tão prosaicos, que tentam colocar razão, onde somente a doidivana demência  reside. 

Mas não se enganem… eles tudo vêm… tudo sentem… e nas insônias palpáveis costumam sibilar canções, que traduzem as asas exauridas…. caídas do céu.

Temo pela sanidade deste mundo, pois quando não houver mais nenhum personagem povoando este ãmago… não conseguirei rabiscar… sem ar, morri.

Re…Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, quinta-feira, 30 de outubro de 2008)

*Respeite os Direitos Autorais

Absurdos

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Traçando Rabiscos

Rabiscos têm fome
…são sedentos,
esboçam o absurdo
…do luxo no lixo,
da lama do poder,
da paixão carnal
da virgem ansiosa,
da alma que chora
a felicidade…

Rabiscos são absurdos sentimentos humanos!

Re… Elizabeth

(Vila Velha/ES, domingo, 04 de março de 2007)

*Respeite os Direitos Autorais

Flagelo

Enviado por Re...Elizabeth na categoria Traçando Rabiscos

A lâmina fria desliza
ferindo  a veia poética…
de onde fluem rubros
rabiscos agoniados,
endossando a tristeza
da frígida e vazia alma.

Nem o punho incidi
deste algoz destino…
flagelado esboça
a agonia que brota
da borbulhante chaga
aberta pela traição.

O medo e a dor imperam
nos traços mal traçados,
mas esta decidido a riscar
o que lhe impôs o coração
num ato de rebeldia…
e rabisca:”-Adeus”.

Re….Elizabeth

(Rio de Janeiro/RJ, segunda-feira, 29 de setembro de 2008)