Se eu não puder provar dos teus beijos, meu amado, será bem-vinda a morte.
Mas a morte que não ouse vir numa manhã ensolarada ou em noite de luar, terá que chegar à tarde, num pôr-do-sol… rubro tal qual sangue. Também não quero ser envolta em flores murchas, numa mortalha pálida… quero a primavera em minha estação de embarque, rumo a esta viagem sem passagem de volta.
Não quero lápide alguma, se eu não provar dos beijos de meu amado. Quero se lançada ao vento… e pela última vez sentir a carícia da vida me envolver.
Se quero missa de sétimo dia?…jamais. Que o padre adormeça encharcado de vinho, o sacristão perca o calendário das missas de sétimo dia, e apenas os ditos boêmios ousem orar por mim….em quaisquer esquinas da noite.
Mas se eu desfrutar dos teus afagos e beijos, meu amor, que a morte seja lenta e tardia, e quando ela chegar (a morte), que venha numa manhã ensolarada, repleta de borboletas e beija-flores, ou numa tarde de um sol lilás e morno, também numa noite de estrela e cristais.
E que minha mortalha seja de orquídeas, vestimenta dos amantes enamorados… e sei que meu corpo estará banhado de teu perfume…que deixará embriagado, de paixão, o dia.
E os ditos poetas irão sussurrar e rabiscar nosso amor, que será eternizado!… e quando for lembrada na igreja do Senhor, notas de cantos gregorianos irão se misturar ao incenso no ar, e você estará agradecendo ao Senhor, através dos lindos salmos de Salomão, por nosso amor, que foi finito nesta vida mas eterno no coração!
Re…Elizabeth
(Rio de janeiro/RJ, domingo, 29 de junho de 2008)
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