Teu Rio
Na correnteza de teu rio reina a liberdade,
e a celebração da vida é feita sem mesmice.
E a água não tem tempo para espelhar,
teu rio não para…nele narciso não pode morar.
Mas tua água tem um frescor que envolve,
que afaga, ao desviar-se dos obstáculos,
acariciando o corpo e refrescando a alma.
E a cada barreira superada, de teu rio,
a água desliza nas veias da emoção
diluída, e imprevisivel, da paixão,
onde um redemoinho irrompe
…do nada…no sublime existir…
saciando a sede, sem pagar ingresso
para a rotina ingenua e caótica do viver.
Na correnteza de teu rio, somos o que somos,
nem mais…nem menos…apenas alma nua.
Nesta água o raciocínio lógico nao vale,
pois no leito deste rio, a areia é movediça,
e travessa desloca-se, abraçando tudo,
dominando, enquanto serpenteia o vale
e segue, para desaguar junto ao mar.
Como se segue a correnteza de um rio?
A cada flashe do dia, ele se transforma.
Ora é maior…dominante na paisagem…
ora pequeno, torna-se aconchegante,
mas sempre poético enquanto desliza
fertilizando as margens de sua geografia
e onde as flores teimam em desabrochar.
Assim passo o tempo a observá-lo…
tal qual ave bêbada, que só sabe voar
e querendo aprender a mergulhar…
para nesta água se fartar, dos poemas
que na correnteza deste rio vê passar
sem conseguir as letrinhas desembaralhar.
…ah como quero aprender neste rio a nadar!
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/RJ, quinta-feira, 01 de julho de 2010)
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