Maldição
Nasce a morte e morre a vida …
Sou ré confessa: “Assassinei o coração”.
Cansei de vê-lo tropêgo,
na embriaguez do absinto prazer.
Vivia num torpor ensandecido,
cavalgando pela boêmia carnal,
sua pulsação agonizava…
e suas batidas ecoavam no caos do peito.
Não posso ter pena de um coração
quando não passa de um pote de mágoas
…e de artérias entristecidas.
O Olimpo nunca abriu as portas à ele,
mas o inferno queria trancafiá-lo no fogo,
suas algemas apertavam a alma, esganando
suas sanidades e oxigenando sua loucura.
Meu coração se tornou parte esquecida de mim…
uma ilha inundada de tubarões famintos,
um por do sol sem poente, um temporal sem h2o.
Eu criei sua morte sim, confesso!
Por um momento, o universo permitiu uma santidade a mim,
e nesta alquímia glacial divina, destruí-lhe a vida. Confesso!
Nada se conspira neste apocalipse enredo,
acho que foi um momento de fertilização do amor.
Oras, matei sim, mas matei-o por amor!
Furtei-lhe a vida por amor, até que… a morte nos una novamente…
Celso Meirelles & Re…Elizabeth
(Coimbra/Pt - Rio de Janeiro / RJ, quinta-feira, 11 de setembro de 2008)
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