
Há dias em que acordamos com o peito querendo explodir, como se ao regressarmos do manto da noite, nossos anseios disfarçados nas vestes de sonhos, transcendessem a tênue linha que separa o mundo de Morpheu da luz do alvorecer.
Nos vemos ainda sonhando, onde bocas se tocam, olhares de desejo pedem: - Possua! Ouvimos o sussurro de vozes expondo toda a fragilidade do coração!
Num tempo tão ínfimo, que a realidade logo chega, tornando os sonhos… apenas sonhos, e percebemos que os corpos e corações estão distantes demais.
As lágrimas correm pela face, como o suor que evidenciava nosso êxtase em sonhos; mas agora, está água salgada na face que denota um sofrimento infindável.
Assim com a alvorada da vida, deletamos do coração as angústias reprimidas e as lembranças de beijos, e mais uma vez, entrecortamos soluços, que teimam em mesclarem-se, com as gotículas de lágrimas que dos olhos vertem, quebrando o equilíbrio.
E aqueles momentos lindos, onde perdíamos a noção do tempo e lugar , vem à tona, agredindo um equilíbrio quase possível. Somente as lágrimas me acompanham, e seguimos torturados… numa insegurança amorosa, nos deixando sedentos com o passar dos anos, transformando o coração em dunas… nas geleiras do tempo!
Fecham-se as portas da noite, e permanecemos em devaneios, dominados pelo instinto contínuo do pulsar das ondas nas rochas da emoção, com o vento seguindo seu curso, sentindo a cor vermelha do sangue em erupção.
Seguimos correndo por caminhos estreitos, sentindo o gosto amargo do fel, nas labaredas deixadas e apagadas pelas chuvas das emoções; e tudo se torna um capitulo do romance da paixão.
Percorremos com o olhar, o brilho das estrelas, o fulgor do sol, da linda borboleta, do beija-flor que a luz adeja…do pássaro que canta e da humildade da violeta…
Além do azar e da sorte, acima da vida e da morte, além do tempo e da história…acima de tudo, seguimos trôpegos em busca do amor… por isso amamos intensamente! Pois, sabemos que o tempo amigo um dia cobrará esta felicidade vivida…e poderemos dizer a ele: - Tempo amigo,amei e fui amada!
Amamos o tempo todo, amamos até nos fragmentos do tempo,mesmo havendo contratempos, mesmo que sejam por demais pequenos, para serem recolhidos; e procuramos entender o tempo, aprendendo a ler os corações, cuja linguagem é universal.
O amor é de poucas palavras, mas sensível; ameno e denso, como deve ser… Onde se comunica em silêncio, para não perturbar os sonhos… Velando. O relógio do amor bate ás vezes mudo, outras ousado; descompassado. É preciso saber ler nas entrelinhas do tempo.
Enfim, para saber amar… é necessário ler o relógio de uma mulher!
Re…Elizabeth
Milnês Rotilli
Ruth Maria
Miriam Simas
Luciana Rocha
Gustavo Drummond
(Alcatéia/Orkut, sábado, 14 de outubro de 2006)
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