Cúbica Química
Numa profusão caótica, a rosa abre-se a velocidade do prazer… momento de ópio, onde o querer é tão intenso que dança na íris do amante… ignorando o vazio imenso, dos espaços, que giram ao redor.
Não sei em qual instante pousou no sorriso, prendendo a língua na cúbica química, sorvendo ais, numa invasão insana, descortinando véus… embalando-se em gemidos e abortando todo pudor.
A alma resignada, encosta-se no soluço da noite, enquanto o corpo alça vôo, levado por pássaros que arrebatam íntimas fronteiras, totalmente embriagados… pousando na bruma do desejo que resvala a geografia, num agonizante arroubo, alimentando doidivanas fantasias… jorrando do labirinto do êxtase.
Perdendo-se entre céus e infernos… numa viagem incoerente… tal qual serpente… mordendo a vida e deixando uma dor pungente… envolvente… despojando sonhos da alma errante…
Mas abruptamente, assim como atou nós… desfaz os laços, buscando alívio no vôo incerto do amanhecer, enquanto um esboço lânguido, de aprazimento, nasce na lágrima que rola pela face… desaba na boca… e morre na garganta, junto ao grito que ninguém ouviu.
Num surto de inércia… cai a rosa ao chão, num caixão de paixão… ainda tão vivo no sinônimo de querer sem ter… na mentira da luxúria… sentindo dor… a dor de quem sente demasiado forte o que não pode sentir.
Re…Elizabeth
(Rio de Janeiro/Rj, segunda-feira, 22 de setembro de 2008)
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